Membro da SBAIT presente nos resgates do Nepal, conta sua experiência

Santiago em Nepal (1)

Membro da SBAIT-MA, o médico Santiago Servin, no Nepal.

O médico Santiago Cirilo Noguera Servin, membro da SBAIT-MA, esteve presente no resgate às vítimas do terremoto do Nepal e compartilha conosco sua experiência:

O Nepal é um país espremido entre a China e a Índia, no continente asiático, sem saída para o mar, com 30 milhões de pessoas em 145.000 km2, e que vive exclusivamente do turismo religioso e de aventura, relacionado ao Himalaia (Everest). A maioria dos templos, pelo menos os mais visitados, foram destruídos no primeiro terremoto, o que vai contribuir para a diminuição de visitantes nos próximos anos, e dificultar claramente a recuperação econômica do país. Sendo assim, ajuda humanitária se fará necessária nos próximos anos de forma constante e a longo prazo.

            Prevenção contra novos danos com os prováveis futuros terremotos, como planos de evacuação ou meios de atenuar o número de vítimas não foi apresentado pelo governo nepali. Os países que estão ajudando principalmente Japão, Estados Unidos, Índia e China tem planos de evacuação, mas que, sem a ajuda e autorização do governo local, não podem ser usados ou instituídos. Aeroporto e estradas são muito precários, assim como o sistema de fornecimento de água, energia elétrica e comunicação, que, em uma situação caótica, serão os primeiros a apresentar falhas.

            Não existe serviço de emergência pré-hospitalar. As emergências intra-hospitalares são realmente muito precárias e, não fossem os países que estão enviando ajuda humanitária, provavelmente haveria um número maior de vítimas (Israel levou um hospital militar com toda a estrutura para atendimentos de emergência, que iniciou atendimento nas primeiras 48 horas após o primeiro terremoto, fazendo mais de 14.000 atendimentos em 15 dias). Apesar de eu ter sido levado por ser cirurgião de emergência participei de somente um atendimento emergencial, um acidente com motocicleta (estradas precárias e transito caótico), e o ponto mais curioso desse evento é que foi casual. Estávamos passando pelo local com uma equipe composta por anestesiologista (alemão), cirurgião de trauma (brasileiro-paraguaio), 2 cirurgiões cardiovasculares (brasileiro e americana) e 03 enfermeiras intensivistas (americanas e malaia), e nem no melhor serviço de emergência no país mais rico do mundo existe uma equipe pré-hospitalar tão completa. Nossa ambulância não tinha tudo que precisávamos, mas improvisando foi possível remover a vítima ao hospital mais próximo. Graças à padronização do atendimento com PHTLS e ATLS, que era de conhecimento de todos os presentes, o resgate ocorreu sem nenhuma intercorrência e sem necessidade de falarmos nada durante o atendimento (notem as diferentes nacionalidades dos membros da equipe, onde nem todos dominavam o inglês), provando a importância do conhecimento e treinamento com padronização. CADA UM SABIA O QUE TINHA QUE FAZER E QUAL ERA O PRINCIPAL OBJETIVO: SALVAR A VIDA DO PACIENTE E EVITAR NOVAS LESÕES.

            Inúmeras são as histórias que poderia relatar, mas esta foi uma das mais relevantes para mim, pois provou que sou capaz e treinado para um atendimento em qualquer situação e com qualquer equipe. Acredito que todos que trabalhamos com emergência devemos em algum momento das nossas vidas profissionais passar por testes que avaliem, não somente os nossos conhecimentos, mas também a nossa humanidade. (Todos os membros da CARDIOSTART e de todas as equipes estrangeiras que conheci são VOLUNTÁRIOS, deixaram suas vidas profissionais e suas famílias para correrem riscos e ajudar).

            A minha participação nesta missão se deu através da FUNDAÇÃO AMERICANA CARDIOSTART (cardiostart.org). A CARDIOSTART realiza cirurgias cardíacas em países em desenvolvimento, no momento estão com data marcada para realizar cirurgias cardíacas no mês de novembro deste ano em KATMANDU, ou seja, com terremoto ou sem terremoto eles tem um compromisso com as equipes médicas do HOSPITAL UNIVERSITARIO DE DHULIKHEL/KATMANDU (www.dhulikhelhospital.org).

Agradeço a Enfermeira JANINE HENSO e aos Drs. AUBYN MARATH e VINICIUS NINA (Coordenadores da CARDIOSTART) pela oportunidade que me deram de participar dessa equipe, conhecer esses profissionais e ajudar o povo NEPALI, que apesar do sofrimento são pessoas alegres e agradecidas.

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