Retenção inadvertida de corpos estranhos é tema de tese de doutorado na USP

2014 1 Janeiro Tese de doutorado em Sao Paulo

Anuar Mitre, Rodrigo Altenfender, Dario Vianna Birolini, Samir Rasslan, Luis Roberto Lopes e Edivaldo Utiyama.

Por se tratar de uma falha médica com potencial implicação jurídica, a retenção inadvertida de corpos estranhos continua sendo subnotificada, o que dificulta o seu estudo e a sua compreensão. Como resultado, ainda enfrenta-se um problema recorrente. A fim de esclarecer o cenário no Brasil relacionando a esse assunto, Dario Vianna Birolini desenvolveu o estudo intitulado “Experiência clínica de cirurgiões brasileiros com a retenção inadvertida de corpos estranhos após procedimentos operatórios”, apresentado no dia 2 de dezembro de 2013, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com a obtenção do título de Doutor em Ciências, no Programa de Clínica Cirúrgica, sob orientação do Prof. Dr. Samir Rasslan.

O estudo explorou a experiência de cirurgiões brasileiros em relação à retenção de corpos estranhos, analisando as suas características e consequências. A banca da tese foi composta pelos professores Anuar Mitre, Rodrigo Altenfender, Samir Rasslan (presidente e orientador), Luis Roberto Lopes e Edivaldo Utiyama. No estudo, foi enviado um questionário de preenchimento voluntário, confidencial e anônimo, por correio eletrônico, aos cirurgiões membros de nove sociedades brasileiras (incluindo a SBAIT), durante um período de três meses. As questões analisaram a vivência dos entrevistados com os corpos estranhos, seus tipos, manifestações clínicas, diagnóstico, fatores de risco ou de proteção e implicações jurídicas. Das 2872 submissões elegíveis, 43% dos médicos teriam deixado e 73% retirado corpos estranhos em uma ou mais ocasiões. Destes, 90% eram têxteis, 78% foram descobertos no primeiro ano e 14% eram assintomáticos. A maioria das retenções ocorreu nos primeiros anos de atividade profissional, em procedimentos eletivos (54%) e rotineiros (85%), porém complexos (57%). As operações de cesárea, histerectomia, laparotomia exploradora por abdome agudo ou trauma, e colecistectomia por incisão subcostal foram as mais relacionadas. Os principais fatores de risco escolhidos foram emergência (26%), ausência de contagem (25%) e condições inadequadas de trabalho (12,5%). Os pacientes foram alertados sobre a retenção em 46% das vezes e, destes, 26% processaram os médicos ou a instituição. Tais dados explicitaram, particularmente em um país com recursos limitados, a importância em se divulgar medidas de prevenção, principalmente, as primárias.

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